O
Brasil não pode ter um presidente governando o país sob o manto da
desconfiança. Não podemos – e nem devemos – aceitar que o mandatário da nação
esteja cercado por suspeitas que resvalam no cerceamento do trabalho da
imprensa e no favorecimento de aliados através da construção de obras suspeitas.
Também
não podemos aceitar que os “cabeças” do partido, que hoje ocupa o poder, tenham
seus nomes transitando em diversas Varas Judiciais por meio de processos
recheados com suspeitas de corrupção, superfaturamento de obras e outras
acusações até mais pesadas.
Um
governo que é eleito com uma pequena margem de votos sobre o concorrente e, o
mais grave, através de urnas eletrônicas facilmente manipuláveis e fraudadas,
não tem nenhuma legitimidade para exercer o seu mandato.
O
Brasil não pode se transformar no quintal de meia dúzia de países que querem
impor seu estilo de vida através de suspeitos “acordos de cooperação
internacional”.
Chega!
Basta!
Queremos
o Impeachment de Aécio Neves já!
Os
leitores que chegaram até aqui, provavelmente acharam que eu estava me
referindo à presidente Dilma Rousseff. Outros, nem se deram ao trabalho
de ler alguns parágrafos a mais. Pelo título e pelas primeiras linhas, já devem
ter se entusiasmado o suficiente para sair correndo a compartilhar esse artigo
nas redes sociais.
Os
argumentos que expus no início desse texto, com certeza seriam utilizados pelos
extremistas da esquerda, caso Aécio Neves tivesse vencido as eleições. Afinal,
não faltaram na campanha presidencial, acusações sobre a perseguição a
jornalistas em Minas Gerais, construção de aeroportos privados, mensalões
mineiros, Metrô paulista e até acusações mais, digamos, escandalosas. Hoje
estaríamos vendo muitas bandeiras vermelhas saindo às ruas, em manifestações
“democráticas”, exigindo auditoria das urnas e pedindo a cabeça do eleito.
Caso
o cenário descrito acima se concretizasse, eu aqui estaria cerrando fileira ao
lado de Aécio Neves – da mesma forma como faço hoje com a presidente Dilma –
defendendo sua legitimidade e criticando aqueles que, por não se conformarem
com a derrota, exigem um terceiro turno, seja lá o que isso signifique na mente
dessa gente.
Quem
vai às ruas gritar pelo impeachment ou pedir uma intervenção militar (Golpe
sim! Não existe intervenção militar que não seja sinônimo de golpe ou
ditadura), está no seu direito democrático de exercer a sua cidadania. E também
está no dever de aceitar criticas daqueles que – como eu – rejeitam
categoricamente esse tipo de comportamento.
As
tais manifestações “pacíficas” (mesmo capitaneadas por gente que berra no trio
elétrico exibindo pistola na cintura) ou por artistas que se esforçam para
homenagear Bin Laden, entram para o nosso folclore político apenas como mais um
gesto daqueles que buscam o protagonismo político à custa de uma exibição
pública vergonhosa, no estilo meu nome é Enéas.
Dessa
turma também faz parte o cidadão que, graças à internet e sua meia dúzia de
seguidores, sente-se empoderado ao ponto de agir como um especialista em
Ciências Políticas. Ele faz previsões catastróficas sobre o futuro do Brasil.
Imagina que ano que vem seremos um país vivendo sob uma ditadura comunista,
onde todos vestirão uniformes cinzas e saudarão o grande líder Castro. Sua
especialidade é tecer teorias conspiratórias e espalhá-las como um fato
consumado.
Esse
militante desmiolado trata Dilma e Lula como se fossem a foice e o martelo. É
incapaz de enxergar a realidade como ela é.
Durante
os oito anos de mandato do presidente Lula e os quatro da presidente Dilma,
jamais, em tempo algum, existiu qualquer ação ou iniciativa que mostrassem
desprezo pela democracia. Ao contrário. Lula poderia, se quisesse, enviar ao
Congresso Nacional uma Emenda Constitucional que lhe garantisse um terceiro
mandato. Estaria eleito. Não o fez por que é um democrata. Dilma disputou duas
eleições que foram pautadas pela livre cobertura da imprensa e com total
garantia dos direitos do eleitor. De onde então vem essa teoria da cubanização,
do bolivarianismo?
Talvez
a psiquiatria explique.
A
verdade é que algumas pessoas gostam de jogar nas costas do governo os seus
próprios fracassos, achando que uma eleição irá mudar suas vidas da água para o
vinho. Repetem de quatro em quatro anos o ritual do Ano Novo, acreditando que,
por causa de uma data no calendário, a sua vida dali em diante será diferente.
No primeiro dia de janeiro descobrem que tudo continuou igual e, a partir daí,
passam a culpar o governo pela infelicidade que reina em seus lares, pelo seu
salário ruim ou pelo seu fracasso como ser humano. Afinal, alguém tem que
assumir a culpa das limitações.
Diante
de tanta necessidade de encontrar um bode expiatório, o frustrado mantém sempre
à mão um leque de opções. “Fizeram macumba para mim” e “tem um encosto que me
persegue” são as mais comuns. Mas em época de eleições não dá outra: “a culpa é
da Dilma, é do PT”!
Raros
são aqueles que, de fato, demonstram uma verdadeira preocupação para com o
próximo ou para com o destino do país.
Boa
parte dos que bradam por democracia são os primeiros a se incomodarem, quando
gente que não pertence a sua “classe”, passa a dividir o mesmo espaço.
Muitos
dos que clamam por igualdade são os primeiros a procurarem um jeitinho de
favorecer um parente com a ajuda de um amigo político. São os mesmos que cospem
no chão, jogam lixo nas ruas, subornam o guarda de trânsito ou, ainda, que
insistem em entrar no elevador mesmo sabendo que ele está com a capacidade
esgotada.
A
internet acabou virando um palanque para essa gente que se acha “diferenciada”,
importante, esclarecida e politicamente engajada. Elas querem iluminar o mundo
com a sua luz de vagalume.
Ainda
bem que o Brasil verdadeiro não é, nem de longe, a republiqueta que está em
suas mentes.
Alguns
líderes do PSDB agiram corretamente ao dar um passa fora nessa turma, ao
afirmarem que não concordam e não endossam discursos antidemocráticos vindos de
mentes excretoras ao gosto de Levy Fidelix.
Dilma
Rousseff foi legitimamente reeleita e tem grandes desafios pela frente. Os
brasileiros que, verdadeiramente batalham por uma vida melhor, não podem
desejar outra coisa que não o sucesso de seu governo. É assim que se fortalece a democracia. É assim que o
Brasil precisa continuar. Sem encostos.
DENER GIOVANINI
Fonte: http://sustentabilidade.estadao.com.br/blogs/dener-giovanini/impeachment-ja/

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