sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Viver ou não na MATRIX?

Olha só...

Por mais ogro, grosso e “Metidinho a escritor”, eu tento pensar. Parece incrível mas é verdade. Pelo menos tento, em um esforço quase que sobrenatural.

Tenho acompanhado diariamente as Redes Sociais, e por vezes acredito em pólos diferentes de entendimento sobre EU mesmo perante tudo aquilo que estou, lendo e vendo; Afinal as redes me dão a possibilidade de ver vídeos e fotos. Quais seriam esses  pólos?

1º. Creio que estou evoluindo.

2º. Creio que estou “Emburrecendo”.

3º. Não sou desse planeta e não entendo a linguagem dos terráqueos.

4º. Que se fodam todos.

Observando as massas alienadas ou empobrecidas intelectualmente, por diversos setores ou instituições, tentar se encaixar no sistema começa a ficar cada vez mais difícil. A mistura da ganância, com o egoísmo (se não for a mesma coisa), com a indiferença, somadas ao comodismo e ao clientelismo de maneira inconsciente, coletiva e de maneira exacerbada, chega a dar “TILT” em qualquer um que se “ATREVA” a pensar.

O pensar, nesse caso específico, consiste em entender o sistema não se preocupando com as consequências dos acontecimentos e sim na busca da causa de todos eles; Podendo assim formar consciência plena de situação e se defender ou saber portar-se diante deles de forma clara e com personalidade própria.

Nos poucos finais de semana em que não estou trabalhando (quem me conhece sabe que sou um workaholic compulsivo), gosto de assistir filmes; E na semana passada resolvi assistir novamente a trilogia MATRIX.




É impressionante o grau de esclarecimento que os filmes trazem, sendo inversamente proporcional ao que se foi entendido do mesmo pelo público e até mesmo pela crítica. Efeitos especiais que ainda tiram o fôlego, um cara bonitão como protagonista e ação continuada. Se é que o filme tem um problema, fica fácil de notar depois do que foi dito. Tanta coisa no pano de frente, que o pano de fundo ficou escondido; Ou seja, o roteiro, a estória e a função da película: MOSTRAR A VERDADE.

É impressionante como a maioria esmagadora dos amigos, familiares ou conhecidos que assistiram os filmes, não entenderam porra nenhuma do que se foi proposto pelos irmãos Wachowski. Vivemos em uma MATRIX. E se não entende-la temos duas alternativas: 1º. Se alienar ou 2º. Driblar o sistema. Se a vida é feita de escolhas (Pilula Azul ou Vermelha), qual será a sua?

No meu pequeno e mero entendimento (Quem não quiser concordar com a opinião que não concorde) mas quando Neo diante das duas pílulas, toma a decisão de tomar a pílula azul, ele decreta o fim da existência do Sr. Anderson, ou algo ainda melhor, o seu renascimento. Ali, Neo (do grego ‘novo’) nasce para uma nova realidade, a realidade do conhecimento da verdade, o esclarecimento. Naquele momento, Neo nasce para “a verdadeira realidade”.




Lado a lado nesse filme, Teologia e Filosofia, com uma boa dose de antropologia e psicologia social.

O determinismo (uma negação do livre arbítrio) parece uma constante na Matrix, mas Neo está ali para provar que nossas escolhas determinam, em especial, nosso futuro e cotidianamente, nosso grau de liberdade.

Zion é a única cidade humana livre. Zion é a palavra em inglês para Sião, biblicamente, a cidade prometida, a cidade livre de todo o mal.

Morpheus , na mitologia, é o deus grego do sono, mas no filme é ele quem tenta despertar Neo e levá-lo a uma nova forma de lidar com o conhecimento e com sua capacidade de escolha (e pelo que entendo a raiz do livre arbítrio).

A medida que o filme avança, a grande descoberta de Neo não é a ‘realidade’ da Matrix, mas a descoberta de si mesmo, indo ao encontro do maior dos ensinamentos do filósofo Sócrates: “Conhece-te a ti mesmo”.

Em que pese a questão da Inteligência Artificial, o que move o filme é a filosofia que ele encarna. Platão já falava que vivemos em uma caverna, enganados e iludidos acerca da realidade e do conhecimento. É preciso sair da caverna. Neo sai (com sofrimento) e, à semelhança da Alegoria da Caverna, ele volta para ajudar a libertar outros. Na verdade, ao perceber que a Matrix não é real, Neo não pode mais voltar atrás, simplesmente não há como (tive que assistir 10 vezes para entender). 

Descartes afirma que a realidade última do conhecimento está em nossa mente, em nossa razão. Penso, logo existo. Mas que tipo de existência? 

Logo, fica claro que as pessoas vivem uma grande ilusão e, trocando em miúdos, uma grande ilusão criada por outros, que tudo controlam através da cultura vazia de instituições mantenedoras do status, promotoras do TER e do ‘PARECER SER’ sobre o ser, da existência sobre a essência, da loucura coletiva, do viver sem pensar, sem refletir – em síntese, é isso que muitos vivem e buscam as vezes sem saber o porquê.



As máquinas descobriram que para os seres humanos aceitarem essa realidade virtual eles precisam, nem que fosse de forma inconsciente ou subliminar, poder escolher não participar disso (Se não entendeu leia de novo esse parágrafo pelo amor de Deus). 

O Oráculo é justamente um programa criado para entender e ajudar os seres humanos que não aceitassem a realidade da grande Matrix. É como se a máquina tivesse um programa para ajudar a resolver os problemas da máquina ou de seus componentes.

No filme, a Inteligência Artificial tem as suas lições filosóficas. Se não há meios “HUMANOS” de vencer as máquinas, resta manter a esperança, embora muitos já tenham escolhido ceder, dando lugar à ilusão e a irracionalidade.

Morpheus simboliza, sobretudo, a vitória da crença, da fé. Mas não a fé burra e induzida, e sim a verdadeira e sem mordaças ou paradigmas instituidos. A cada demonstração de que Neo pode ser o “ESCOLHIDO”, Morpheus aumenta sua crença e reforça sua fé. Ele abre mão até de seu grande amor, e até mesmo de sua vida, para garantir a vida do “ELEITO”.

O Oráculo também condiciona as profecias às escolhas individuais, justamente porque essa é a essência do cumprimento das profecias (elas são fruto das ações humanas). É como quando Jonas profetiza a destruição de Nínive, e face ao arrependimento de seus moradores, seu destino é mudado e a profecia não se cumpre. Enfatizando o poder da escolha, Morpheus explica a Neo o que a Oráculo disse, quando falou a ele: "... exatamente o que você necessitava ouvir, isto é tudo." Mais adiante, Morpheus completa: "Neo, em breve você vai perceber como eu, que há uma diferença entre conhecer o caminho, e seguir este caminho"; Essa frase além de sensacional passa batido no filme.

A nave se chama Nabucodonozor por dois motivos. Ele foi um pioneiro, o primeiro rei do primeiro reino universal (Babilônia) profetizado por Daniel e, ao mesmo tempo, foi o rei que despertou de sua ilusão, e voltou-se para a realidade. Um pioneiro. A nave é a portadora daqueles que acordaram da sua ilusão.



Há várias trindades nas diversas religiões e culturas. A começar pela principal, a trindade do Cristianismo, temos na história das religiões várias trindades (hinduísmo: Brama, Vixnu e Xiva; grega - Zeus, Hades e Poseidon e a egípcia – Osíris, Ísis e Seth).

Morpheus, Trinity e Neo formam a trindade do filme, onde o próprio nome de um deles carrega esse sentido (Trinity - trindade). A volta de Neo à vida é a vitória da mente sobre o corpo, do espírito sobre a matéria, da vontade sobre a razão. E é claro, é um símbolo teológico da ressureição.

Mesmo considerando as questões teológicas (que envolvem necessariamente religiões), filosóficas (que viajam desde a filosofia antiga, passam pela medieval, moderna e chegam a filosofia de nossos dias), tecnológicas (realidade virtual, lutas, efeitos especiais, Inteligência artificial), filmes de ficção científica (The Terminator, Metrópolis), HQ e Animes (Os Invisíveis, Akira, Serial Experiments Lain, Ghost in the Shell), o que fica mesmo é a questão essencial da vida: livre arbítrio, escolhas, decisões e consequências de nossos atos. 

Bem, isso tudo é sobre o primeiro filme da série, o mais significativo dos três. Os dois seguintes são bons, mas o exagero na busca de efeitos especiais e as muitas lutas para agradar a uma parte do público que ‘amou’ o filme, esvaziaram o que Matrix tinha de melhor – levar as pessoas à reflexão sobre a realidade.


Eu sei que existem pessoas que adoooooooooooram viver no mundo das fantasias, dentro de um pedestal mental criado ou patrocinado, mas a questão da escolha é pessoal e intranferível. E se não gostou, PEGA EU.

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