quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Ser ou não ser? Eis a questão!

Há dias venho presenciando, nas redes sociais, a indignação dos colegas jornalistas junto a um ranking apresentado pelo portal G1, sobre as profissões mais ou menos valorizadas tanto a título de remuneração como em reconhecimento intelectual.



Ora, não vejamos essa reportagem como absurda; temos que analisá-la como perspicaz, e que mostra um quadro real da nossa cultura “moderna”. Afinal, o que podemos esperar de um País ou de uma grande parcela populacional que adota jogadores de futebol, duplas sertanejas e cantores de Funk (que na verdade não é Funk nem aqui nem na China), como seus ídolos incontestáveis? O que esperar de um grande contingente de jovens e adolescentes que distorceram o idioma pátrio de tal forma, que já se pode dizer que expressões idiomáticas e gírias podem fazer parte do glossário intelectual de um membro da academia brasileira de letras? O que esperar da parcela de estudantes universitários que se comunicam diariamente via SMS, pois perderam a noção de contato humano, com palavras do tipo: “Hoje eh um dia extranho”, “Vc eh impocrita”, “estou num curso de ascessoria de imprença”, ou “não fui na festa pq o peneu do meu carro furou”? O que esperar de um dos professores do ENSINO FUNDAMENTAL, que fazendo parte de uma manifestação realizada em Londrina/PR há dias atrás concedeu entrevista a uma colega jornalista dizendo: “estamos esperando a pronuciação do governador para resolver o impasse”? (tenho até medo de pensar como essa professora teria escrito a palavra impasse).

A atrofia cerebral, a perda das relações humanas, e a criação de um pseudo idioma, não fazem parte da revolução tecnológica. O que está acontecendo e que não se está sabendo fazer uso das ferramentas inventadas ou dispostas para se maximizar as informações geradas.



Acredito que, mais do que nunca, o papel dos jornalistas e dos professores, mesmo estando em último no ranking apresentado, são fundamentais para a reversão desse quadro lastimável.

Ideias criativas, soluções inteligentes e o enfrentamento de desafios sempre fizeram parte da personalidade desses profissionais; então porque não entender o ranking como uma proposta desafiadora?. O ditado sempre afirmou que os últimos serão os primeiros, sendo assim, partir para o enfrentamento nunca se fez tão necessário.

2 comentários:

  1. Assinando junto com você, ALexandre. Passo mal toda vez que ouço expressões com vários verbos no infinitivo e mais um ou dois e até três, no gerúndio. COmo aquele personagem da novela global das 21h. O cantor de funk. Me sinto injuriada.
    Bem pertinente sua postagem.

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  2. E veja esta, publicada por um amigo, Mário Marcos de Souza, no face:
    Vejo o anúncio de lançamento de uma construtora e lá está anunciado: 'Axis Home, Axis Office' e, para completar, o aviso de que é 'o primeiro Back to Back' do Brasil. Olho a contracapa da Zero e outra empresa registra: 'Vem ai black friday' com um traço que indica a substituição por 'weekend'.
    Tem gente (empresários ou publicitários, sei lá) exagerando no direito de produzir babaquices.

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