Olha só...
Por mais ogro, grosso e “Metidinho a
escritor”, eu tento pensar. Parece incrível mas é verdade. Pelo menos tento, em
um esforço quase que sobrenatural.
Tenho acompanhado diariamente as
Redes Sociais, e por vezes acredito em pólos diferentes de entendimento sobre
EU mesmo perante tudo aquilo que estou, lendo e vendo; Afinal as redes me dão a
possibilidade de ver vídeos e fotos. Quais seriam esses pólos?
1º. Creio que estou evoluindo.
2º. Creio que estou “Emburrecendo”.
3º. Não sou desse planeta e não
entendo a linguagem dos terráqueos.
4º. Que se fodam todos.
Observando as massas alienadas ou
empobrecidas intelectualmente, por diversos setores ou instituições, tentar se
encaixar no sistema começa a ficar cada vez mais difícil. A mistura da
ganância, com o egoísmo (se não for a mesma coisa), com a indiferença, somadas
ao comodismo e ao clientelismo de maneira inconsciente, coletiva e de maneira
exacerbada, chega a dar “TILT” em qualquer um que se “ATREVA” a pensar.
O pensar, nesse caso específico, consiste
em entender o sistema não se preocupando com as consequências dos
acontecimentos e sim na busca da causa de todos eles; Podendo assim formar consciência
plena de situação e se defender ou saber portar-se diante deles de forma clara
e com personalidade própria.
Nos poucos finais de semana em que
não estou trabalhando (quem me conhece sabe que sou um workaholic compulsivo),
gosto de assistir filmes; E na semana passada resolvi assistir novamente a
trilogia MATRIX.
É impressionante o grau de esclarecimento que os filmes trazem,
sendo inversamente proporcional ao que se foi entendido do mesmo pelo público e
até mesmo pela crítica. Efeitos especiais que ainda tiram o fôlego, um cara bonitão
como protagonista e ação continuada. Se é que o filme tem um problema, fica fácil
de notar depois do que foi dito. Tanta coisa no pano de frente, que o pano de
fundo ficou escondido; Ou seja, o roteiro, a estória e a função da película:
MOSTRAR A VERDADE.
É impressionante como a maioria
esmagadora dos amigos, familiares ou conhecidos que assistiram os filmes, não
entenderam porra nenhuma do que se foi proposto pelos irmãos Wachowski. Vivemos em uma MATRIX. E se
não entende-la temos duas alternativas: 1º. Se alienar ou 2º. Driblar o
sistema. Se a vida é feita de escolhas (Pilula Azul ou Vermelha), qual será a
sua?
No meu pequeno e mero entendimento
(Quem não quiser concordar com a opinião que não concorde) mas quando Neo diante das duas
pílulas, toma a decisão de tomar a pílula azul, ele decreta o fim da existência
do Sr. Anderson, ou algo ainda melhor, o seu renascimento. Ali, Neo (do grego
‘novo’) nasce para uma nova realidade, a realidade do conhecimento da verdade, o
esclarecimento. Naquele momento, Neo nasce para “a verdadeira realidade”.
Lado a lado nesse filme, Teologia e
Filosofia, com uma boa dose de antropologia e psicologia social.
O determinismo (uma negação do livre
arbítrio) parece uma constante na Matrix, mas Neo está ali para provar que
nossas escolhas determinam, em especial, nosso futuro e cotidianamente, nosso
grau de liberdade.
Zion é a única cidade humana livre.
Zion é a palavra em inglês para Sião, biblicamente, a cidade prometida, a
cidade livre de todo o mal.
Morpheus , na mitologia, é o deus
grego do sono, mas no filme é ele quem tenta despertar Neo e levá-lo a uma nova
forma de lidar com o conhecimento e com sua capacidade de escolha (e pelo que
entendo a raiz do livre arbítrio).
A medida que o filme avança, a grande
descoberta de Neo não é a ‘realidade’ da Matrix, mas a descoberta de si mesmo,
indo ao encontro do maior dos ensinamentos do filósofo Sócrates: “Conhece-te a
ti mesmo”.
Em que pese a questão da Inteligência
Artificial, o que move o filme é a filosofia que ele encarna. Platão já falava
que vivemos em uma caverna, enganados e iludidos acerca da realidade e do
conhecimento. É preciso sair da caverna. Neo sai (com sofrimento) e, à semelhança
da Alegoria da Caverna, ele volta para ajudar a libertar outros. Na verdade, ao
perceber que a Matrix não é real, Neo não pode mais voltar atrás, simplesmente
não há como (tive que assistir 10 vezes para entender).
Descartes afirma que a realidade última do conhecimento está em nossa mente, em nossa razão. Penso, logo existo. Mas que tipo de existência?
Logo, fica claro que as pessoas vivem
uma grande ilusão e, trocando em miúdos, uma grande ilusão criada por outros,
que tudo controlam através da cultura vazia de instituições mantenedoras do
status, promotoras do TER e do ‘PARECER SER’ sobre o ser, da existência sobre a
essência, da loucura coletiva, do viver sem pensar, sem refletir – em síntese,
é isso que muitos vivem e buscam as vezes sem saber o porquê.
As máquinas descobriram que para os
seres humanos aceitarem essa realidade virtual eles precisam, nem que fosse de
forma inconsciente ou subliminar, poder escolher não participar disso (Se não
entendeu leia de novo esse parágrafo pelo amor de Deus).
O Oráculo é justamente um programa criado para entender e ajudar os seres humanos que não aceitassem a realidade da grande Matrix. É como se a máquina tivesse um programa para ajudar a resolver os problemas da máquina ou de seus componentes.
No filme, a Inteligência Artificial tem as suas lições filosóficas. Se não há meios “HUMANOS” de vencer as máquinas, resta manter a esperança, embora muitos já tenham escolhido ceder, dando lugar à ilusão e a irracionalidade.
Morpheus simboliza, sobretudo, a
vitória da crença, da fé. Mas não a fé burra e induzida, e sim a verdadeira e
sem mordaças ou paradigmas instituidos. A cada demonstração de que Neo pode ser
o “ESCOLHIDO”, Morpheus aumenta sua crença e reforça sua fé. Ele abre mão até
de seu grande amor, e até mesmo de sua vida, para garantir a vida do “ELEITO”.
O Oráculo também condiciona as
profecias às escolhas individuais, justamente porque essa é a essência do
cumprimento das profecias (elas são fruto das ações humanas). É como quando
Jonas profetiza a destruição de Nínive, e face ao arrependimento de seus
moradores, seu destino é mudado e a profecia não se cumpre. Enfatizando o poder
da escolha, Morpheus explica a Neo o que a Oráculo disse, quando falou a ele:
"... exatamente o que você necessitava ouvir, isto é tudo." Mais
adiante, Morpheus completa: "Neo, em breve você vai perceber como eu, que há uma diferença entre conhecer o caminho,
e seguir este caminho"; Essa frase além de sensacional passa batido no
filme.
A nave se chama Nabucodonozor por
dois motivos. Ele foi um pioneiro, o primeiro rei do primeiro reino universal
(Babilônia) profetizado por Daniel e, ao mesmo tempo, foi o rei que despertou
de sua ilusão, e voltou-se para a realidade. Um pioneiro. A nave é a portadora
daqueles que acordaram da sua ilusão.
Há várias trindades nas diversas
religiões e culturas. A começar pela
principal, a trindade do Cristianismo, temos na história das religiões várias
trindades (hinduísmo: Brama, Vixnu e Xiva; grega - Zeus, Hades e Poseidon e a
egípcia – Osíris, Ísis e Seth).
Morpheus, Trinity e Neo formam a
trindade do filme, onde o próprio nome de um deles carrega esse sentido
(Trinity - trindade). A volta de Neo à vida é a vitória da mente sobre o corpo,
do espírito sobre a matéria, da vontade sobre a razão. E é claro, é um símbolo
teológico da ressureição.
Mesmo considerando as questões
teológicas (que envolvem necessariamente religiões), filosóficas (que viajam
desde a filosofia antiga, passam pela medieval, moderna e chegam a filosofia de
nossos dias), tecnológicas (realidade virtual, lutas, efeitos especiais,
Inteligência artificial), filmes de ficção científica (The Terminator,
Metrópolis), HQ e Animes (Os Invisíveis, Akira, Serial Experiments Lain, Ghost
in the Shell), o que fica mesmo é a questão essencial da vida: livre arbítrio,
escolhas, decisões e consequências de nossos atos.
Bem, isso tudo é sobre o primeiro filme da série, o mais significativo dos três. Os dois seguintes são bons, mas o exagero na busca de efeitos especiais e as muitas lutas para agradar a uma parte do público que ‘amou’ o filme, esvaziaram o que Matrix tinha de melhor – levar as pessoas à reflexão sobre a realidade.
Eu sei que existem
pessoas que adoooooooooooram viver no mundo das fantasias, dentro de um
pedestal mental criado ou patrocinado, mas a questão da escolha é pessoal e
intranferível. E se não gostou, PEGA EU.





















